O ano de 2020 fechou com uma inflação de 4,52%, o maior índice desde 2016 e acima do centro da meta para o ano, de 4%, definido pelo Conselho Monetário Nacional.

O preço dos alimentos e bebidas foi o que mais influenciou no resultado, com uma alta de mais de 14%. Também pesaram no bolso Habitação e Artigos de residência, que, em conjunto com os alimentos, responderam por quase 84% da inflação do ano passado.

As informações do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, foram divulgadas nesta terça-feira (12) pelo IBGE.

Os dados do mês de dezembro também revelam a aceleração dos preços. O mês teve a maior alta desde 2002, com 1,35% de aumento, influenciada sobretudo pelos grupos habitação e alimentação e bebidas.

O gerente da pesquisa Pedro, Kislanov, explica que a pandemia está entre os motivos da alta de preços dos alimentos em 2020.

Entre os produtos cujos preços dispararam estão o óleo de soja, que subiu mais de 103%, o arroz, com 76% de inflação, além do leite longa vida, as frutas, as carnes e a batata inglesa.A alta foi generalizada nas 16 regiões pesquisadas, com todas as capitais apresentando resultado acima da meta da inflação.

O grupo habitação subiu em consequência principalmente do reajuste da tarifa de energia elétrica no ultimo mês do ano, quando houve mudança de bandeira tarifária. Já os artigos de residência, com alta de 6%, teve os preços influenciados pela alta do dólar nos eletrodomésticos, equipamentos e artigos de TV, som e informática.

O grupo transportes, que tem o segundo maior peso no IPCA, teve alta de 1,03%. A inflação no grupo foi freada pela queda da gasolina no primeiro semestre e das passagens aéreas, que acumulou deflação de mais de 17%, apesar da escalada de preços em dezembro.

O único grupo que não subiu foi vestuário. E a explicação também é a pandemia, que diminuiu a demanda por roupas. A queda foi de 1,13%.

A inflação pesou ainda mais para os mais pobres. O INPC, que mede a alta de preços para as famílias com rendimentos de um a cinco salários mínimos, apresentou alta de 5,45%.

O pesquisador do IBGE, André Almeida, destaca o comprometimento do orçamento dessas famílias com habitação e alimentação.

Em 2019, o INPC teve alta de 4,48% e o IPCA, de 4,31%.

Fonte: Agência Brasil